preloader

“Sou maluco pelo Vitória”

Rui Correia e o sonho de chegar ao clube do coração

Veste a ‘branquinha’ pelo segundo ano consecutivo mas respira Vitória há quase 19. Vitoriano desde sempre, Rui Correia tem-se assumido um exemplar Conquistador dentro de campo, onde procura tornar-se um modelo a seguir pelos colegas. Ao longo da conversa com o central, nem sempre foi tarefa fácil dissociar o jogador do adepto mas o próprio assume que “ser do Vitória”, o ajuda a ser melhor profissional.

A viver uma época “muito positiva”, Rui Correia começou por lembrar os primeiros tempos de rei ao peito. “Eu estive 13 anos no Vizela e, apesar do interesse que o Vitória ia manifestando, tive sempre medo de sair e fui adiando essa decisão, até que no ano passado surgiu novamente a oportunidade e eu não a quis deixar fugir. Lembro-me que quando cheguei e percebi que um dos meus treinadores seria o Olímpio, fiquei logo atónito. Quer dizer, um dos jogadores que ganhou uma Taça pelo meu Clube agora ia ser meu treinador? Para nós, que sentimos o Vitória, isto tem um peso muito grande”, disse.

Estava ali dado o primeiro sinal da paixão de Rui Correia pelo emblema vitoriano. Mas o melhor estava ainda para vir. E é o próprio quem conta na primeira pessoa: “No ano passado, tinha bilhete para a meia-final da Taça da Liga, que era numa quarta-feira. Eu tinha treino às 16horas como sempre, só que os autocarros partiam às 17 para Braga e eu já estava a ver a minha vida a andar para trás (risos). Até que decidi e fui pedir ao treinador para mudar o treino para as 15 que assim eu conseguia ir ver o jogo de forma mais segura. E assim foi. Ainda não jogava aqui e já ia ver os jogos todos do Vitória e fazia sempre questão de levar amigos meus que não eram vitorianos só para eles perceberem o que é realmente sentir um Clube”.

O golo que se revelou “um sinal”

“Maluco pelo Vitória”, como o próprio se descreveu, Rui Correia procura agora aliar esse amor ao brio profissional enquanto membro desta instituição. O médio defensivo, que no Vitória fora adaptado a central, admite estar a cumprir um sonho mas também reconhece não estar com a cabeça nas nuvens. Cabeça que já tem servido para marcar, com o mais recente golo a revelar-se “muito especial”. “No estágio do jogo com o Sporting, há duas semanas, recebi a notícia do falecimento da minha avó. Hesitei, como é natural, se jogava ou não e só depois de uma videochamada com o meu avô é que decidi jogar. Fi-lo pela minha avó e a verdade é que até marquei nesse dia. Foi um sinal, um sinal de que tenho de dar sempre tudo para a orgulhar”, confessou.

“Dar tudo” pode até parecer aqueles termos usados demasiadas vezes no futebol mas, relativamente a Rui Correia, os adeptos podem comprovar que o jogador encarna a mística do Clube. “Os colegas estrangeiros, que conhecem menos o Clube, pedem para eu lhes explicar e até ensinar a ser do Vitória e eu digo sempre: aqui é preciso ter raça, é preciso meter o pezinho, podes não ser o melhor jogador do mundo, mas não podes é permitir que te apontem falta de entrega e os adeptos gostam disso, de quem tem garra”, contou o jovem de 18 anos.

“Não podemos relaxar em nenhum jogo”

A garra é outra das características a ter em conta nos duelos com adversários como o próximo. Depois da derrota com a Académica, numa “primeira parte onde não fomos Vitória”, a equipa fez por merecer o empate mas acabou por averbar o primeiro desaire desta fase. Para Rui Correia, o resultado negativo servirá de “lição” para a partida com o Boavista. “Há males que vêm por bem e eu acho que esta derrota vai mexer connosco de forma positiva. Não podemos relaxar em nenhum jogo, independentemente do nome do adversário, e por isso vamos com tudo para o Bessa. Vamos conquistar os três pontos para nos mantermos nos lugares de cima e assim garantir o apuramento para a Taça Revelação, que é o nosso objetivo”, concluiu.