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“Este ano vamos conseguir fazer algo especial”

Tomás Händel esteve à conversa com Luís Vieira no novo episódio do podcast DEZANOVE22: partilhou histórias, viajou até ao passado e falou sobre o futuro

Figura incontornável do plantel vitoriano em 2023/2024, Tomás Händel foi o convidado do 11.º episódio do podcast DEZANOVE22. O médio do Vitória Sport Clube esteve à conversa com Luís Vieira e não poupou nas histórias. Com 23 anos cumpridos, o jogador recordou o início do percurso futebolístico como ponta-de-lança, explicou a origem do nome austríaco e falou sobre a paixão que desenvolveu – juntamente com a família – pelo clube que agora representa. Entusiasta de outros desportos e de música, Tomás Händel revelou-se também um bom contador de histórias. O novo episódio do podcast DEZANOVE22 é uma janela para conhecer melhor um dos talentos da formação vitoriana.

Início como ponta-de-lança: “O meu pai sempre foi um apaixonado por futebol e, assim que conseguiu, pôs-me a jogar ali à beira de casa. Fui jogar para o Moreirense quando tinha quatro anos. Fiquei no Moreirense dos quatro aos nove. No início, comecei como ponta-de-lança. Adorava e era muito forte no jogo de cabeça. Como é que é possível, não é?”

Formação e chegada ao Vitória: “Sempre fui dos mais pequeninos nas minhas equipas. Comecei como ponta-de-lança e, com o passar dos anos, fui recuando no campo. De ponta-de-lança passei para número 10. O número 10 já nem existe sequer. Passei para número oito, depois passei para número seis, como estou agora: seis, oito. Quando tinha nove anos, fui jogar para o Vitória. E, a partir daí, completei todas as minhas etapas de formação no Vitória até chegar aos sub-23 e depois a equipa B e agora a equipa A, ou seja, fiz o meu percurso todo praticamente no Vitória. Nem sei outra coisa sem ser o Vitória”.

Vitorianismo: “Gostava muito de acabar aqui a carreira. Quem sabe? Era uma história bonita. Eu sou vitoriano, a minha família também é vitoriana. Vou ser sincero, quando eu era mais pequeno e tinha oito, nove, dez anos, a minha família não tinha qualquer ligação ao clube. Eu só comecei a ser um verdadeiro vitoriano a partir do momento em que vim para aqui. Antes não tinha ligações ao Vitória porque a minha família também nunca as teve. A partir do momento em que eu vim para aqui, tanto eu como o meu pai, a minha mãe e toda a gente da minha família converteu-se a este bairrismo. E agora vou ser sempre vitoriano porque me identifico”.

Origens: “O meu nome vem do lado do meu pai e a minha trisavó é que era austríaca, nasceu na Áustria, e depois casou-se com um português. É essa a ligação. O meu pai é português, o meu avô é português, o meu bisavô é português e só a minha trisavó, que é a mãe do meu bisavô, é austríaca”.

Seleção: “Eu sinceramente acho que não posso jogar pela seleção austríaca, mas ainda que fosse possível, eu não quero porque não me identifico. Nunca fui à Áustria, por exemplo. Não há ligações. Não sei falar a língua. Só sei dizer o meu nome, mas de resto não sei mais nada. No entanto, é esta a origem do nome”.

Lesão: “Foi um momento complicado. Nunca é ideal, para qualquer jogador de futebol, ver interrompida a possibilidade de fazer aquilo que mais gosta. Nunca é ideal e nunca é bom. Paras de te valorizar, pões uma pausa na tua carreira e não sabes o que vai acontecer. No meu caso foi assim. Não foi uma lesão em que me disseram que parava um mês e regressava. Não. Eu não sabia o que é que ia acontecer porque teve muitos imprevistos, muitos altos e baixos. Foi uma fase complicada, mas pôs em evidência uma característica minha, que é olhar sempre para as coisas boas, pensar sempre positivo, ter a mentalidade certa para lidar com as coisas que aparecem. Acho que foi com essa mentalidade e com essa resiliência que consegui ultrapassar esse obstáculo. Agora se me perguntas se foi fácil ver o pessoal a jogar e eu ficar de fora, digo-te que foi horrível, é a pior coisa que há é estar de fora e ver os jogos. Quando corre mal e quando corre bem. É complicado. É horrível até mesmo quando tudo corre mal. Essa parte foi a mais complicada: não conseguir ajudar e não poder estar lá dentro a fazer aquilo que mais gosto”.

Sonho de ser chamado à seleção: “Claro que qualquer jogador estaria a mentir se dissesse que não sonha com a chamada à seleção nacional. Se me perguntares se eu acredito, digo-te que acredito, claro que acredito. Se não for eu a acreditar, quem é que vai acreditar por mim? Mas não vivo diariamente a pensar nisso. Acho que pode ser fruto do trabalho que eu possa fazer no clube, no Vitória, e fruto desse trabalho posso conseguir, um dia, lá chegar. Espero que aconteça um dia. Acredito muito em mim”.

Partilhar o balneário com ídolos: “Sempre vi o André André como uma referência. Não só porque lhe reconheço muitas qualidades futebolísticas, mas também pela carreira que ele teve. Gostava de ter uma carreira parecida com a dele. Se eu tivesse uma carreira parecida com a dele, já ficava muito feliz comigo. Dividir o balneário com ele é uma sensação muito boa. Agora dou-me muito bem com ele, mas vejo-o como uma referência na mesma. O meu primeiro ano no Vitória é com o Pepa. O nosso balneário tinha o Quaresma, o Sílvio, o André. Acho que aproveitei bem a presença deles. Aprendi com eles. Foi uma sensação muito boa. E, se eles chegaram ali, foi por algum motivo. Dá para recolher sempre alguma coisa daquilo que eles fizeram e fazem no dia-a-dia, olhar para eles, para conseguirmos absorver e aplicar”.

Outras modalidades: “Gosto de futebol, basquetebol, NBA em particular, Fórmula 1, futebol americano e ténis. O Federer era o meu preferido. Gosto do Hamilton, sou completamente maluco. O meu pai gosta muito da modalidade e transmitiu-me isso. Na Fórmula 1, apoio primeiro a Mercedes e depois o Hamilton”.

Viagens de sonho: “Tanto a minha equipa de futebol americano como da NBA são de Filadélfia. Ainda não fui lá, mas é um dos meus sonhos. Quero ir aos Estados Unidos para ir a Filadélfia. O Jorge [Fernandes] foi lá operado e disse-me que é um bocadinho industrial, mas ele não tem nenhuma conexão nenhuma à cidade. Tenho de ir lá um dia, mas com o futebol é difícil conciliar. Quando fui aos sub-21, visitei a Islândia, o Chipre, países que eu se calhar gostava de visitar um dia, mas com o futebol é difícil tirar proveito das viagens. Nós chegamos, ficamos no quarto, temos jogo no dia a seguir e depois voltamos logo”.

Mentalidade: “Partilho da mentalidade do Kobe Bryant. Acho que todos os atletas que têm sucesso têm um bocadinho disso. É impossível tu teres sucesso sem aqueles parâmetros que fazem parte dessa mentalidade que o Kobe tinha. A disciplina, a consistência, a fixação em ganhar, ganhar, ganhar e trabalhar”.

Música: “Eu acho que me safava no karaoke, adoro música. Se me perguntares se acho que canto bem, não acho, não canto bem. Mas eu acho que me safava bem. Eu ouço de tudo. No Vitória, quando estamos no ginásio, é sempre House, Chill House. É sempre o André André a pôr. Ele pergunta o que é que queremos ouvir. Eu até lhe digo para pôr Hip Hop, mas ele põe House. Não vale a pena. Ele põe sempre House. Já gostava, mas acho que por ouvir tanto no clube, também gosto mais. Gosto de Hip Hop, gosto de música portuguesa. Gosto muito de Dire Straits. Foi o meu pai que me passou. Adoro música antiga, reggaeton. Gosto de tudo”.

Competitividade: “Eu sou muito competitivo, odeio perder. Acho que não demonstro muito isso. No entanto, penso que nunca me chateei com outros jogadores. Já me aborreci com árbitros, chateio-me muito com os árbitros. Com outros jogadores acho que nunca me chateei. Nunca chegou ao ponto de começarmos a falar da família uns dos outros. É o mais normal. Ouvimos e dizemos muitas coisas, mas acho que nunca passei esses limites”.

Grupo: “Somos um grupo muito unido. Não sei se as pessoas notam isso, mas eu acho que se nota que somos muito unidos. Acho que tem muito a ver com o facto de nos conhecermos muito bem a todos. Há poucos jogadores que entram de novo, muitos transitaram. Acho que isso tornou tudo mais fácil. Depois tem a ver com a personalidade de cada um. Acho que é muito fácil para um jogador que vem de fora identificar-se e sentir-se bem na nossa equipa. Acho mesmo que isso é muito fácil”.

A importância do balneário: “Acho que temos tido sucesso este ano e que a nossa caminhada tem sido positiva no campeonato e na Taça [de Portugal]. Acredito que esse sucesso advém muito do que estamos a criar dentro do balneário. Isso é o mais importante para que as coisas corram bem”.

Mensagem para os vitorianos: “Quero dizer aos vitorianos que não só eu, mas todo o plantel vai continuar a fazer as coisas como temos feito até aqui. Não vou dizer que vamos fazer as coisas de forma diferente porque eu acho que o que temos feito está a ser bem feito. Vamos continuar a trabalhar e a dar o nosso melhor para conseguirmos atingir os nossos objetivos e para conseguirmos fazê-los felizes. Sabemos que, nesta cidade, uma vitória ao fim-de-semana muda a semana de muitos vimaranenses. É impressionante isto e é mesmo verdade. Acho que estamos numa das poucas cidades em que isto acontece. Ganharmos ao fim-de-semana muda a vida de uma família para o bem e para o mal. Quando as coisas não correm bem, nós também sentimos. É o nosso trabalho. E se nós sentirmos a comunhão com os adeptos, sentimos ainda mais quando não corre bem, mas quando corre bem ainda é melhor. Espero que continuem a apoiar-nos e a acreditar porque eu acho que este ano vamos conseguir fazer algo especial. Temos é de acreditar todos, mas acho que vai correr bem”.