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Quiseram dar-lhe música mas o defesa só tinha olhos (e pés) para a bola

João Salgado, defesa dos Sub-15, em entrevista

Aos 15 anos, apresenta uma fluidez de discurso semelhante à maturidade e compromisso com que vive o futebol. João Salgado chegou ao Vitória com apenas oito anos e a vinda para o emblema da cidade-berço resultou de uma decisão tomada por pais igualmente maduros.

De modo a perceber o percurso do jovem atleta, foi-lhe pedido um exercício de memória e partilha da razão que o fez ingressar no Vitória. A explicação é um exemplo daquilo que deveria ser a prioridade numa criança: a felicidade. “Fui para o Ponte com sete anos e logo depois vários clubes ligaram aos meus pais para que eu fosse jogar para lá e acabei por ir para o núcleo do Sporting. No entanto, como eu estava a treinar com os mais velhos, chegava sempre tarde a casa e às vezes tinha de jantar no carro ou até adormecia à mesa enquanto jantava em família. Foi aí que os meus pais decidiram que era muita ‘carga’ para um menino tão novo e que naquela idade o mais importante era que eu estivesse feliz, independente do clube onde estava a jogar. Entenderam que não fazia sentido tanto sacrifício para um menino tão novo e como o Vitória estava interessado acabei por vir para cá”, lembrou.

O futebol chegou nessa altura mas por insistência do próprio. “Os meus pais ainda tentaram que eu gostasse de outra coisa e colocaram-me a ter aulas de música mas eu ia para a escola e só queria uma bola”, disse, reforçando que “foi a melhor escolha pois tenho sido muito feliz a jogar futebol”.

Os últimos anos em Guimarães foram assim, felizes, mas igualmente “exigentes”. “Nestes últimos anos, evolui muito, principalmente nestas duas épocas. Passei por algumas dificuldades, às vezes não era convocado para certos torneios mas com a ajuda dos meus pais consegui lidar bem com isso e o meu esforço e resiliência foram retribuídos”, disse.

A competir no escalão de Sub-15, o defesa esquerdo já se estrou em escalões acima e agradece a oportunidade. “Fui treinar com a equipa de Sub-17 e o mister João Tiago gostou da minha participação e deu-me uma oportunidade no jogo com a Sanjoanense, em janeiro. Durante o tempo em que estive a treinar com eles também joguei os amigáveis. o desgaste e a força física são maiores mas a evolução foi muito boa”, confessou.

“Foi um momento muito feliz”

Utlizado em 21 jogos, João Salgado veste também a camisola das quinas. O defesa, natural de Fermentões, é um dos vitorianos chamados aos momentos da Seleção Nacional de Sub-15. A última vez aconteceu há poucos dias, onde contou com a companhia de Luís Alves e Diogo Freitas. Foi, aliás, o capitão que lhe deu a notícia aquando da primeira convocatória. “Estava com a minha mãe e o Diogo ligou-me a dar os parabéns pela chamada. Fiquei muito feliz e, apesar de estarmos sempre à espera, acabei por ser surpreendido. A minha mãe estava a levar-me ao treino e foi com ela que partilhei imediatamente a boa notícia. No início é sempre bom irmos com colegas da mesma equipa pois chegámos aos estágios mais envergonhados mas agora já conhecemos todos os outros jogadores convocados e o convívio é, naturalmente, mais fácil”, afirmou.

“Objetivo? Sentir que sou melhor a cada semana”

Apreciador das qualidades de Nuno Mendes, o jovem vitoriano procura olhar para dentro e perceber com quem pode aprender. João Salgado lembra, por isso, a competência de Tomás Rodrigues, com quem se cruza nos corredores do departamento de Formação. Evoluir é a palavra de ordem no horizonte do jovem. “O meu maior objetivo é sentir que sou melhor a cada semana. Se no final da época sentir que estou melhor que aquilo que estou agora então poderei dizer que foi uma boa época. Se formos sérios tanto nos jogos como nos treinos, acabaremos por ser recompensados”, atestou.