Igor Cabral, capitão de Sub-17, em entrevista

Tinha cinco anos quando enveredou pelos campos de futebol. Até então, o judo parecia ser o desporto que lhe causava interesse. Na escola, e por recomendação da mãe, ocupava os seus tempos livres com esta arte marcial mas optou por seguir o exemplo dos colegas e o pai inscreveu-o no clube perto de casa.
O percurso foi ascendente e depois de um ano no Sacavenense, rumou ao Sporting CP, onde se manteve durante cinco anos. “Foi tudo muito rápido e depois de ter ido para o Sacavenense, mudei-me logo para o Sporting. Quando lá cheguei, percebi que não era o melhor lá da rua e que havia muita gente com qualidade. Foi uma espécie de ‘abre-olhos’. Nos primeiros anos, adaptei-me bem, os meus colegas eram muito bons também e isso ajudou-me a ter uma postura mais humilde, pois sabia que havia muitos miúdos fora do clube que trabalhavam para estar no meu lugar”, começou por contar Igor Cabral.
Em declarações aos meios de Comunicação Social do Clube, o atleta de Sub-17 partilhou o seu percurso até chegar à cidade-berço, onde se encontra desde a última época. Hoje, o jogador admite estar mais “confortável” mas reconhece que os primeiros dias foram “muito difíceis”. “Vim para os Sub-16 e posso dizer que o início foi muito duro. Foi um ano muito difícil, de adaptação a uma realidade totalmente diferente. Os meus pais sempre foram muito presentes na minha vida e foi complicado estar longe deles, apesar de eles virem cá todos os fins de semana”, afirmou, reconhecendo depois que “o esforço que fazemos ao estar longe de casa faz com que nós queiramos ainda mais ter sucesso no futebol”. “O jogador que está fora de casa, que muda as suas rotinas, que tem de se adaptar a uma vida longe do seu conforto, tem, ou deve ter, mais força de vontade porque o sonho de se tornar jogador de futebol está a custar-lhe muitas outras coisas boas e eu considero que sou mais focado por causa disso”, acrescentou.


“A época está a correr bem”
Ultrapassadas as dificuldades iniciais, Igor Cabral é agora outro menino. Mais confortável na cidade que o acolheu, o extremo tem tido vários motivos para sorrir e o primeiro surgiu logo no início da temporada, aquando da chamada à Seleção Nacional. “Comecei muito bem esta época, com a ida à seleção, que era um objetivo e consegui realizar. Além disso, o mister também olhou para mim como uma peça importante e isso fazia-me acreditar mais em mim. Entregarem-me a braçadeira foi um motivo de orgulho para mim mas também de muita responsabilidade. Penso que me deram porque sou um elemento que acaba por influenciar o grupo dentro e fora de campo. Sou alguém a quem os meus colegas reconhecem o compromisso e seguem as minhas ações, por exemplo, nos treinos sou eu que tomo a iniciativa. Sei que o meu talento vem do trabalho árduo dentro de campo”, disse.


“Esperamos voltar às vitórias já este sábado”
Com sete golos marcados, o jovem de 16 anos, que é fã de Noah Saviolo, apontou mais um na última jornada. O remate eficaz não deu o triunfo, ao contrário do que já acontecera, mas abriu o marcador no duelo em Estoril. “Infelizmente, o meu golo não deu para ganhar mas é sempre bom marcar. Começámos a vencer mas acho que relaxámos um pouco. Depois, surgiu o penalti e a expulsão na segunda parte afetou a nossa equipa. Conseguimos, ainda assim, chegar ao empate e esperamos voltar às vitórias já este sábado”, garantiu.
A equipa de Sub-17 prepara-se para medir forças com o FC Alverca, num duelo que terá lugar na Pista Gémeos Castro. “Estamos a tentar que a Pista se torne igualmente nossa casa, embora eu prefira jogar com o público mais perto de nós. O Alverca tem uma equipa boa e se está nesta Fase de Campeão é porque tem qualidade para isso e há bons jogadores em todas as equipas”, concluiu.

