Afonso Neiva voltou aos relvados após longa ausência

Que o ditado se cumpra! Deverá ser este o pensamento de Afonso Neiva por estes dias. O mesmo será dizer: Que depois da tempestade venha a bonança! Um ano após ter sofrido uma grave lesão, o médio está de volta para cumprir o segundo ano do escalão de Sub-19. Natural de Ponte de Lima, Afonso Neiva chegou ao Vitória com 12 anos. Mais tarde, tornou-se um dos atletas a habitar na Residência VSC e, longe da família, criou rapidamente amizades que ainda hoje mantém e que, no passado recente, foram “fundamentais para a recuperação física e mental”.
Em 2025, quando disputava o último jogo da pré-época, Neiva lesionou-se na perna direita mas, ali, naquele momento, estaria longe de imaginar o que viria. Às portas da competição, o atleta deparou-se com uma má notícia e a certeza de que, pelo menos nove meses, o sonho de jogar futebol ficaria adiado. Assim foi durante quase 400 dias. Voltou este sábado, no duelo com o FC Porto, numa partida também marcada pela despedida do “grande amigo” Pereira. Mas se uns vão, outros voltam e Neiva está de regresso para lutar pelo seu lugar.
Para trás ficam meses de luta e “resiliência”, que o próprio partilhou na primeira pessoa. “É necessário ter muita resiliência e paciência. Foram dias muito difíceis, em que por vezes me questionava sobre a razão das coisas estarem a acontecer daquela forma. Felizmente, tive o apoio de muitas pessoas que trabalham aqui e que se revelaram fundamentais para que eu não quebrasse. O apoio do psicólogo foi muito importante mas na verdade todos me ajudavam diariamente, no trabalho de ginásio e na nutrição. Claro que nem sempre estava a cem por cento mas quando entrava no ginásio, sentia-me logo motivado para crescer como jogador. Sabia que não podia conquistar nada dentro de campo mas podia crescer muito fora dele e como pessoa também. O Neiva pós-lesão é uma pessoa muito mais resiliente, com uma capacidade de trabalho muito mais evoluída. O período de lesão mudou-me muito como pessoa”, atestou.


Hoje, com a lesão a ser conjugada com verbos no passado, Neiva olha para o presente e para o futuro próximo com otimismo. Com muito otimismo. O regresso foi feliz e o jogador diz sentir-se “muito bem”. “Sinto-me a cem por cento, sem qualquer receio do choque. Acho que lá dentro, no jogo, as coisas fluem de forma natural e nem me lembro da lesão que tive. Confesso que, antes do regresso, pensava como é que iria reagir no primeiro jogo mas isto é tudo muito automático”, admitiu.
“Temos um grupo muito unido”
O regresso não poderia ser mais positivo no que ao coletivo diz respeito. Afonso Neiva voltou com um triunfo frente ao FC Porto e com uma liderança. Para o jogador, o primeiro lugar não é surpresa: “Acho que a equipa está confiante e que temos um grupo muito unido. A ideia do mister também é muito forte e ele reforça várias vezes que não basta chegarmos à Fase Final. Temos de o conseguir com competência, com um futebol interessante e sempre com uma vontade imensa de marcar golos”, afirmou.
Com a equipa em destaque, ganhar um lugar pode tornar-se, por isso, “mais difícil”. “A competitividade é sempre algo positivo. Sabemos que só podem jogar onze mas estou confiante que com o tempo as coisas vão surgir. A mim compete-me trabalhar bem para quando for chamado, conseguir dar uma boa resposta”, reforçou.


“O Rodrigo é um dos meus melhores amigos”
Os primeiros minutos de Afonso Neiva significaram, como já demos nota, dos últimos momentos de Rodrigo Pereira. O médio mostra-se triste pela despedida do colega que era, também, um dos seus melhores amigos. “O Rodrigo é um dos meus melhores amigos e vai ser difícil habituar-me a não estar todos os dias com ele. Vai ser estranho mas ao mesmo tempo estou feliz porque ele vai cumprir um sonho”, desabafou o também estudante universitário.
Aos 18 anos, Neiva conseguiu também alcançar um objetivo e é um dos alunos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Universidade Técnica do Porto (ESTG), onde o jogador irá procurar conciliar os estudos com o futebol. “Entrei em Ciências Empresariais, que era a minha primeira opção. Fui sempre bom aluno, também por força da exigência da minha mãe e dos meus irmãos, que estudam Direito e Medicina. Para já, vou tentar conciliar as duas vertentes e ter sucesso em ambas. Se perceber que não estou a conseguir, então foco-me no futebol e depois volto aos estudos.



