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“Criou-se uma atmosfera fantástica neste grupo”

João Fernandes fala da equipa B e lembra os primeiros passos nos Afonsinhos

Começou a dar os primeiros passos com apenas nove meses. Não tem, naturalmente, lembranças desse momento mas, 23 anos depois, é a mãe quem mantém presente algumas das memórias de criança. E há uma que João Fernandes partilha com vaidade e reconhece que estava já ali um sinal daquilo que viria a ser a sua vida. “Comecei a andar muito cedo e a minha mãe conta-me que a todo o lado que eu ia, levava sempre uma bola debaixo do braço. Era o meu brinquedo preferido”, começou por dizer.

A paixão pela “menina” despoletou cedo e, aos 4 anos, o vimaranense deu início ao percurso de futebolista numa das melhores escolas do país. “Vim para os Afonsinhos quando tinha apenas quatro anos e fiquei no Vitória até aos 14. Depois, fui para Fafe e quando, há dois anos, surgiu a possibilidade de regressar ao meu Clube nem pensei duas vezes. Se calhar, faz-me falta sair da zona de conforto e da casa da mãe mas sigo o meu destino”, disse.

Um destino que o fez voltar à casa onde sempre foi feliz. Primeiro, nos Sub-23, e agora na equipa B. A afirmação no onze tem demorado mais do que o desejado, fruto também das lesões e da pandemia que o mundo atravessa. “O sonho de qualquer jogador é afirmar-se na equipa onde está. O meu objetivo e o de todos os meus colegas é jogar sempre mais. Não tenho sido feliz como desejaria mas mantenho-me extremamente motivado todos os dias. No início de dezembro lesionei-me e quando voltei a jogar fui infetado pela Covid19. Novo retrocesso naquilo que seria a minha consistência”, contou, referindo ainda que “o facto de o nosso campeonato parar tantas vezes também não ajuda, nem a mim, nem a ninguém”. “De setembro a dezembro fizemos dez jogos, isso é pouco, muito pouco para quem quer manter um ritmo competitivo que permita ao jogador ascender a outros patamares. Um jogador só consegue atingir a melhor condição física quando compete regularmente, não tendo, fica ainda mais difícil de mostrar resultados”, acrescentou.

Com mais ou menos minutos, João Fernandes explica que uma das razões da sua alegria e boa disposição é “o espírito maravilhoso que se vive na equipa B”. E porque não gostamos de clichés, nem de frases politicamente corretas, tentamos perceber, junto do entrevistado, o que o leva a ter tamanho orgulho no grupo onde se insere: “Numa equipa de futebol, por vezes é normal que haja mini grupos formados tendo em conta as nacionalidades. Os franceses normalmente dão-se mais com os colegas do mesmo país, o mesmo acontece com os ingleses, com os brasileiros e aqui isso não acontece. É incrível assistir à relação entre o Zagré e o Dani Silva. No outro dia, dei por mim a apreciar a forma como eles brincam um com o outro, e este é só um exemplo. O mister também contribui muito para que assim seja. Quando aqui chegou, teve algumas iniciativas de grupo que ajudaram imenso, como por exemplo, sortear os lugares do almoço para que os jogadores não se sentassem sempre ao lado dos mais próximos e pudessem conhecer-se melhor”.

“Os adversários procuram o nosso erro”

Depois de uma entrada feliz em 2021, a equipa B prepara-se para uma paragem de duas jornadas depois de uma derrota e um empate. Resultados que não agradam e que até surpreendem face ao caudal ofensivo apresentado pela equipa. Vitoriano, se viu o jogo em Felgueiras, sabe do que lhe falo. Mas João Fernandes poderá explicar: “Tem-nos faltado alguma sorte, a tal estrelinha, mas isso também se procura. Não quero tirar mérito aos nossos adversários mas não há nenhuma equipa a jogar melhor do que nós. O mister tenta preparar-nos para que possamos chegar a patamares acima e aí dar boa resposta, incute-nos a vontade de querer jogar bem e, por isso, tem apenas faltado o golo. Temos vindo a crescer muito e vamos aproveitar estas duas semanas para arranjar soluções para os problemas com os quais nos temos deparado nos últimos jogos”, concluiu.