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“Vir para cá significou dar muitos passos em frente”

Nuno Pereira fala da experiência da estreia em Guimarães

As portas do castelo abriram-se, pela primeira vez, em julho de 2020. Num ano atípico para o futebol e todas as modalidades desportivas, quis o destino que Nuno Pereira marcasse então o seu mais importante golo: o contrato com o Vitória SC. O médio, natural de Esposende, aceitou abandonar a sua zona de conforto, despedir-se do mar e abraçar com toda a força o maior desafio da sua – ainda curta – carreira.

Naturalmente feliz pela oportunidade “única”, Nuno Pereira reconhece, no entanto, a influência do seu passado recente na forma como hoje vive o seu trabalho. É, por isso, que o jovem atleta fala com orgulho da primeira experiência no Campeonato de Portugal (CP). “Terminei a formação e fui para o Cerveira no primeiro ano de sénior. Confesso que aquela foi a melhor opção que recebi e, mais tarde, percebi ter sido a mais acertada porque foi importante conhecer a realidade do futebol sénior. No início, as coisas não me correram bem mas comecei a jogar e fiz uma metade da época muito positiva. Quando surgiu a possibilidade de vir para aqui, pensei de imediato: dei um passo atrás para dar muitos à frente”, contou.

O respeito pelo Cerveira é intocável e Nuno faz questão de o referir por diversas vezes. O jogador, de apenas 20 anos, lembra as dificuldades do primeiro ano no futebol profissional. “Nós treinávamos às 20 horas, então eu chegava a casa por volta das 23. Como não tinha carta, vinha na carrinha do clube e a viagem durava cerca de 45 minutos. Foi um período difícil e cansativo, até porque no dia seguinte tinha de acordar cedo para ir para a Universidade mas acho que nós só crescemos nas adversidades. Ter passado por isso faz-me ser ainda mais grato às condições que tenho aqui no Vitória”, atestou.

“Queremos ficar o mais acima possível”

A estreia no CP antecedeu a vinda para o Vitória SC, pelo que permitiu ao jogador trazer já na bagagem uma experiência neste “competitivo” campeonato. Com apenas 20 anos, Nuno Pereira foi atuando nas duas equipas (B e Sub23), estando agora inserido no grupo de Bino Maçães, que irá medir forças com o Rio Ave FC na penúltima jornada da Série B. “Temos de vencer já no sábado para garantirmos matematicamente o apuramento e porque, claro está, queremos ficar o mais acima possível. Esta série é realmente muito competitiva, a equipa passou por alguns momentos difíceis, mas é isso que nos leva ao sucesso. No entanto, reconheço que, na maioria dos empates – e nós tivemos muitos – faltou-nos aquela pontinha de sorte que outras equipas da nossa série têm”, afirmou. Numa série “difícil”, a equipa vitoriana acabaria por destacar-se em alguns números. A posse de bola foi um deles. “Somos a equipa com mais posse de bola de todas as séries e isso quer dizer que tentamos sempre assumir o jogo, procurar praticar um bom futebol e tratar bem a bola. O mister procura incutir-nos essa ideia de procurar sempre jogar bem”, acrescentou.

“O Vitória dá-nos a possibilidade de crescer

Com apenas 20 anos, Nuno Pereira foi um dos jogadores que mais viagens fez entre os B e os Sub23. Depois da pré-época no escalão mais velho, o estudante de Solicitadoria cumpriu alguns jogos na Liga Revelação. O tempo foi seu amigo e Nuno soube ser paciente. “Quando aqui cheguei, senti uma mudança muito grande em termos de ritmo de treino. Olhava para mim e para os meus colegas e sabia que ainda não era o Nuno que eu queria ser mas, felizmente, o Vitória dá-nos a possibilidade de crescer e pude fazê-lo nos Sub23. O meu objetivo imediato é cimentar uma posição na equipa B. O meu sonho é fazer disto vida para poder ajudar a minha família”, confessou.

Viver do e para o futebol é o objetivo de todos. Há, no entanto, quem apresente um plano B na manga. Inteligente e responsável, este estudante universitário vive focado na bola mas os livros continuam na prateleira para aquele que será o último ano de curso. “Sempre fui ambicioso e quando estava no Gil Vicente achava que o meu futuro podia passar por ali, então optei por seguir Solicitadoria no IPCA. Queria algo que me permitisse jogar e estudar na mesma cidade. Não me arrependo da escolha, e já só me falta um ano, mas não me imagino a trabalhar nesta área no futuro. Mas eu também quero é estar no futebol por muitos e bons anos (risos)”, concluiu.