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“A competitividade obriga-me a estar sempre a 100 por cento”

Sérgio Dutra fala de “época positiva” para a sua evolução

O sotaque já não se faz perceber e dos Açores o guarda-redes guarda apenas as boas memórias de infância. Sérgio Dutra está no Vitória desde os 14 anos e, seis temporadas depois, orgulha-se da coragem que o fez navegar o Atlântico. O guarda-redes, que renovou contrato profissional, lembrou o início do percurso em Guimarães, agradeceu a confiança demonstrada no presente e reiterou a ambição para aquilo que deseja alcançar no futuro.

Depois de uma época “boa” no Lajense, o jovem guardião foi convencido a fazer um estágio no Continente. O destino levou-o ao Vitória para um estágio e “ao fim de uns dias os responsáveis já queriam ficar comigo”. “Nessa altura, tinha 13 anos e os meus pais entenderam que era melhor não vir logo, sendo que só vim um ano mais tarde. Vim para o lugar certo na hora certa. Guimarães é uma cidade tranquila, pacata, sem problemas de violência, e foi muito fácil habituar-me. Além disso, contei com a ajuda dos pais dos meus colegas, que me recebiam em suas casas”, lembrou.

Quem troca dois dedos de conversa com Sérgio Dutra dificilmente perceberá a sua origem. O jovem, com dupla nacionalidade – é filho de cidadão americano -, teve de aprender alguns “truques” para disfarçar o sotaque e conseguir que o seu discurso fosse sempre percetível: “No início fui muito gozado, até porque não havia mais nenhum jogador açoriano. Depois, aprendi a falar mais devagar, a não puxar tanto o sotaque e acho que agora não se nota nada. Há gente que até pensa que nasci em Los Angeles, como o meu pai”.

O guarda-redes, natural da Praia da Vitória, tem apenas 19 anos mas cumpriu o seu processo de formação sempre em patamares acima. Aquando da assinatura do primeiro contrato profissional, em 2018, Sérgio Dutra pertencia já aos quadros dos Sub-19. Desde então, o guardião de 1.88m tem evoluído junto dos mais crescidos e reconhece as vantagens da competitividade existente na posição mais recuada do terreno. “Tive a sorte de trabalhar com excelentes treinadores de guarda-redes, mas também se não fossem bons não estariam aqui. Além disso, já treinei com os guarda-redes das equipas principais e isso ajudou-me muito a evoluir. Nesta época, penso que também foi importante para mim competir com o Antal e com os outros guarda-redes. Olho para esta competitividade como algo positivo, que me obriga a estar sempre focado e a 100 por cento no treino para conseguir ter uma oportunidade”, garantiu, reforçando mais tarde o significado desta temporada: “Foi uma época positiva porque me tornou mais forte mentalmente e exigiu muito de mim, ainda assim, tenho esperança de que o próximo ano seja diferente e que eu possa jogar mais”.

“Valeu a pena ser resiliente”

Aquando do convite para a renovação do contrato que o ligaria ao Vitória por mais três temporadas, Sérgio Dutra mostrou-se “algo surpreendido”. “Houve uma fase em que parecia que pensei que as coisas não iam acontecer, eu também não estava a jogar e isso poderia interferir, mas fiquei extremamente feliz quando soube da intenção da Direção em renovar comigo. É uma prova de que os responsáveis estão atentos ao trabalho diário, à nossa entrega e prestação nos treinos. Valeu a pena ser resiliente e ter dado sempre o melhor de mim todos os dias”, vincou.

“Futebol moderno pede guarda-redes com bom jogo de pés”

Fã de Manuel Neuer, o guarda-redes que se considera “forte entre os postes”, tem o desejo natural de “jogar mais” e continuar a “sair da zona de conforto”. Instado a falar de si próprio, numa missão sempre difícil, Sérgio Dutra referiu algumas diferenças relacionadas com a localidade e com o tempo. “Considero-me forte entre os postes, trabalhador, que gosta de jogar com os pés. A propósito disto, noto uma grande diferença desde o dia em que cheguei. Nos Açores, não treinava os pés, mas aqui é completamente diferente e sei que é algo que tenho de trabalhar para evoluir. O futebol moderno pede um guarda-redes que seja bom a jogar com os pés, a sair da sua zona de conforto, é também por isso que aprecio o Ederson”, disse, acrescentando que “olho para os melhores para poder aprender mas não quero ser parecido com ninguém, quero ter o meu próprio estilo”.