No rescaldo ao triunfo frente ao GD Estoril Praia, o técnico vitoriano explica que todos os jogadores contam e que todos têm de trabalhar para conquistar um lugar na equipa

Com o registo de seis triunfos em seis jogos no arranque do campeonato ao comando do Vitória Sport Clube, Rui Borges mantém os pés assentes na terra. No rescaldo à partida da segunda jornada, analisou o triunfo que considera justo e apontou baterias ao encontro da próxima quarta-feira.
Análise ao jogo: “Não acho que tenha sido uma equipa descaracterizada até porque as mudanças foram o Mikel [Villanueva] e o Telmo [Arcanjo]. De resto, todos têm jogado. Não acho que houve essa descaracterização. Acho que fomos algo precipitados na primeira parte. Demorámos a entender que o espaço estava fora, que o corredor estava fácil. Tivemos pouca dinâmica de tocar e acelerar. Andámos muito no toque só. Houve demasiados passos interiores. Era onde o adversário tinha mais gente, onde queria estar e onde queria que metêssemos bolas para sair rápido para contra-ataque e ataque rápido, com os alas mais por dentro a defender com a linha média à largura. Nós exageramos nesse passe interior. Corremos porque quisemos. Fomos criando algumas situações. Levamos logo dois amarelos. Tínhamos os dois centrais com amarelos demasiado cedo. Podia correr mal. Depois demonstraram equilíbrio. A primeira parte foi repartida. Chegámos ao golo com mérito através de uma bola parada. Eles também não criaram perigo sem ser nessas transições. Perigo mesmo não criaram ao longo dos 90 minutos. Na segunda parte entrámos bem. Depois, ao longo do tempo, percebemos que nos faltava alguma frescura. Andámos num espaço mais recuado do que desejámos e do que gostámos. É fruto também deste acumular de jogos. Tentamos refrescar aqui e ali. Quem entrou, esteve muito bem. Entraram dinâmicos, para ajudar, comprometidos. Era isso que se pedia. Ainda assim, fomos criando uma ou outra situação de finalização na área com acelerações de corredor, com dinâmica de corredor. Facilmente chegámos a zonas de finalização. Faltou-nos ser mais agressivos no sentido de chegar para finalizar, mas fizemos um jogo bastante competente e rigoroso. Foi dentro do que queríamos. Todos percebem isso. Percebemos que, na fase final, não estávamos tão frescos. A equipa esteve mais compacta, num bloco mais baixo. Mesmo assim, não deixámos que o Estoril criasse situações de golo. Por isso, é uma vitória justa”.
A importância do trabalho diário: “Ponta-de-lança principal? Aqui há 27 jogadores principais, não há um ponta-de-lança principal. Aqui todos trabalham para jogar como trabalha o Nélson [Oliveira], o Bica e todos os outros. Aqui têm de estar todos ligados. É isso que a equipa tem demonstrado e deixa-me feliz e tranquilo. Quem joga dá resposta, quem entra dá resposta. É isso que eu quero: que estejam preparados para jogar, para não jogar, para jogar cinco minutos, para jogar 90. É isso que tem acontecido nestes jogos. O Chucho tem jogado de início alguns jogos assim como o Nélson [Oliveira]. O Nélson [Oliveira] tem feito bons jogos também. Não há principais. Aqui sou eu o principal e mais nada, sou eu o líder. Eles têm de andar e dar ao sapato para jogar. É isso que eles fazem diariamente. Estamos numa sequência de muitos jogos. Eles têm demonstrado muito compromisso, têm descansado, têm respondido de forma fantástica. Com o passar dos jogos, não vamos estar tão frescos como desejávamos, mas não vamos deixar de ser competentes, competitivos, rigorosos no momento ofensivo e defensivo. Não estando tão frescos, não deixámos de criar situações de finalização, de golo. Estou tranquilo. O mais importante é que recuperem e estejam preparados para jogar na quarta-feira. Será um jogo importante para nós”.

O próximo adversário: “Já disse no último jogo, frente ao Zürich, que não tinha olhado para o Estoril. Ia olhar a seguir ao jogo. E agora, depois do jogo, vou olhar para o adversário da próxima quarta-feira. Estava preocupado com o Estoril. Agora vamos estudar e perceber como é que vamos ser superiores. Não posso adiantar muito. Sei que será um jogo difícil porque são duas equipas que estão no play-off e querem, a todo o custo, entrar na fase de liga. Independentemente da qualidade, a equipa vai estar acima de tudo. Espera-nos um jogo difícil perante uma equipa que, no último ano, caiu da Champions League. Penso que jogaram com o Aston Villa, empataram em casa. Sei pouca coisa. São equipas difíceis. Estamos numa fase importante da competição. É uma equipa que vai dar a vida para entrar na fase de liga. E têm de perceber que, deste lado, vão encontrar uma equipa que também vai dar a vida para entrar na fase de liga. É isso que desejamos todos. Vai ser um jogo difícil”.
A importância dos adeptos: “Deixo um apelo aos nossos adeptos para que compareçam na quarta-feira. É um horário difícil por ser um horário de trabalho. Acredito que toda a gente está ligada a este início do Vitória. Empregados, patrões, deixo um apelo a todos os vitorianos para que apareçam na quarta-feira. Vão ser muito importantes como foram hoje. Especialmente naqueles últimos dez, quinze minutos a dar-nos força, a empolgar-nos. São diferentes e a equipa, na quarta-feira, tem de chegar aqui e sentir que está num estádio diferente como toda a gente tem sentido até agora. Inclusive eu, que cheguei aqui recentemente. Os adversários, quando chegam aqui, têm de perceber que é difícil levar pontos daqui. Na quarta-feira não será a pontos, mas queremos ganhar e precisamos da ajuda de todos”.

Errar e reagir: “Dá-se conta da frescura que não temos. O Telmo foi titular pela primeira vez depois de 14 meses de recuperação. Por mais que treine bem, e o miúdo treina bem e por isso é que foi titular hoje, tem dado uma resposta diária fantástica, não é a mesma coisa. O jogo dá outras coisas. A ansiedade é outra, os nervos são outros. Fez um bom jogo, mas sente, em alguns momentos, mais o cansaço. Notou-se na tomada de decisão mais do que no resto. A organização estava lá, ofensiva e defensiva. Na definição faltou-nos alguma coisa. Falhámos mais passes do que o normal. Nos últimos dois jogos, não foi só hoje. No jogo do Zürich, na primeira parte, também nos aconteceu o mesmo. Falhámos demasiados passes, mas faz parte. O mais importante é que reagimos ao erro. Essa é a diferença. Se não reagíssemos, ficava preocupado e chateado. Eles vão errar muito como eu também erro. Desde que tenham atitude, para mim está top”.
Recuperar e jogar: “Nós só trabalhámos na pré-época. Foram quatro semanas ou quatro semanas e meia. Nesta sequência de jogos, não treinámos. Recuperámos. Eu sou um treinador de repetição. Acho que a repetição faz com que sejamos melhores. Fica no chip. É difícil trabalharmos porque andámos a recuperar e a jogar de dois em dois dias. Estamos numa fase de maturação. O grupo tem uma ligação muito própria. Não só no campo, mas fora dele. É um grupo muito bom e isso demonstra-se em campo. Hoje foi importante quem entrou. O Manu serenou o jogo, meteu mais pausa, tomada de decisão mais simples e limpa. Equilibrou o jogo no momento ofensivo e defensivo. Isso deixa-me feliz: saber que entram tranquilos, felizes. Cada vez vai ser mais difícil continuar estes jogos a ganhar e sem sofrer golos. Os adversários vão adaptar-se de outra forma, vão ser mais rigorosos. Vamos ter de arranjar estratégias. A equipa está muito bem e tem dado boas respostas. Os resultados e as exibições dizem isso. O resultado é quase sempre mais importante para fora, mas para mim não é só o resultado. É a demonstração de que a mensagem está a passar e eles estão a acreditar no que estamos a fazer”.

