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Eduardo Faustino: “O retornar do Vitória ao sítio onde merece estar”

Passados quatorze anos, o Vitória Sport Clube volta a estar presente nas meia-finais do Campeonato Nacional de Voleibol, onde encontrará o Sporting CP.

Se a época da equipa de voleibol masculina já era merecedora de destaque, tanto pela presença na Final Four da Taça de Portugal como pelo rendimento na fase regular do campeonato nacional, a passagem às meias-finais da principal competição do voleibol nacional vem evidenciar ainda mais o trabalho do grupo orientado por Eduardo Faustino.

O triunfo da passada terça-feira, no reduto da Académica de Espinho (no terceiro jogo dos quartos-de-final do Campeonato Nacional) assegurou o nome do Vitória SC entre o Top4 nacional. O primeiro desafio da meia-final disputa-se amanhã (3 de abril) pelas 18h00 no Pavilhão João Rocha, perante o atual campeão em título, Sporting CP. Eduardo Faustino destacou a importância do regresso dos Conquistadores aos grandes palcos do voleibol nacional e lançou a fase que arranca amanhã.

O regresso às meias-finais: “Historicamente é o retornar do Vitória aos grandes palcos e isso era o mais importante para o nosso projeto. Além de estar a ser sustentado com vitórias, que é sempre muito mais fácil trabalhar e muito mais fácil motivar o atleta, é muito mais fácil encontrar apoios também para o projeto. É o retornar do Vitória aos grandes palcos, às grandes decisões, que é o sítio onde eu acho que o Vitória merece estar por todo o projeto, pelas condições que dá de trabalho, tanto à equipa técnica como à equipa. Nós temos muito boas condições e acho que já faltava um Vitória mais forte e mais competitivo no campeonato e e isso está a ser muito importante para mim, como treinador e como primeira época aqui no Vitória, a sustentar um projeto a longo prazo. O facto é que foram 14 anos em que o Vitória não esteve nestes grandes palcos e principalmente esta época nós sabíamos que podíamos ter essa competitividade e recuperar essa história porque é muito tempo. É muito tempo para um projeto que sempre foi bem sustentado, é muito tempo para um projeto que sempre teve excelentes condições de trabalho e sempre ofereceu excelentes condições de trabalho aos seus atletas. E portanto, é um presente que nós damos à estrutura que acaba também por nos presentear a nós pelo trabalho que estamos a desenvolver aqui.”

Época memorável: “Atingimos a Final Four da Taça e agora conseguimos atingir a Final Four do campeonato. Nós com a Final Four da Taça já sentíamos um sentimento especial, que já estávamos a conquistar alguma coisa, mas sabíamos que era uma competição que queríamos estar até ao fim ou perto do fim, como aconteceu na meia final e agora conseguimos com o campeonato. É uma das melhores épocas nos últimos 15 anos, e isso é sustentado por esta meia-final do campeonato e pela presença na meia-final da Taça mas são competições diferentes. A Taça é uma fase a eliminar, é um jogo e tudo pode acontecer. Aqui é preciso alguma estabilidade, é preciso sustentabilidade no trabalho, é preciso um desenvolvimento, às vezes, a longo prazo. E eu sinto que foi isso mesmo que nos representou esta época, foi um início onde ainda nos estávamos a conhecer, ainda estávamos a introduzir algumas ideias, ainda estávamos a adaptar aquilo que são as ideias de jogo. E agora, quando tudo já está tudo mais sustentado e mais alinhavado, torna-se mais fácil e começamos a presentear-nos com vitórias e com o rendimento desportivo e atingirmos este momento da meia-final do campeonato, é espetacular.”

O Sporting: “Eu acho que a forma de encararmos este desafio, que é o Sporting e é uma grande equipa, joga muito bem, tem excelentes individualidades e depois nota-se que também tem um coletivo forte, é olhar para a escuridão. E os nossos limites é um bocadinho isso, olhar para a escuridão, quais são os nossos limites humanos? Quais são os nossos limites enquanto atleta? Quais são os nossos limites em rendimento? A viver o momento. É um pouco isso que procuramos, colocar-nos um patamar acima daquilo que nós estamos ou até ser mais consistentes nos bons rendimentos que estamos a ter durante os sets e durante o campeonato. Hoje procurarmos um pouco mais e sabemos que conseguimos ser competitivos. Isso não há dúvida, nós já mostrámos, mais que uma vez, que conseguimos ser competitivos com uma equipa como a do Sporting. É preciso encontrar essa consistência, essa consistência é difícil, mas é nestes momentos que a equipa também tem que mostrar. E se realmente queremos ir a uma final, ultrapassar um Sporting é uma coisa normal, é uma coisa que tem que ser natural. Se a nossa ambição é ir à final, temos que ter esse nível de jogo também para sermos uns finalistas corretos. E eu acho que a Sporting, mais do que a meia-final, é também uma prova num momento de pressão para todos nós, num momento em que toda a gente tem que render, mas num momento em que nós sabemos que nos podemos igualar.”

O apoio: “Desde o dia 1 que eu sabia que nós não tínhamos a massa adepta que tínhamos há 20 anos atrás e eu falei ao grupo isso, sabia que era uma coisa que eu queria muito conquistar – os adeptos aqui. Queria trazer mais gente ao Pavilhão e eu sei que é um objetivo permanente da administração, mas também sei que isso acontece se nós estivermos nestas decisões. Nós temos que ser competitivos também para atrair os adeptos. Eles querem estar nos momentos de decisão, querem pertencer a um projeto que seja vencedor, que seja competitivo contra as melhores equipas. E nós estamos a demonstrar isso hoje, e durante toda a época. Eu estou atento àquilo que são as páginas do Vitória, e eu gosto muito de ver também o que se passa nas outras modalidades e acompanhar os resultados das outras modalidades, porque temos sempre algumas aprendizagens a retirar e toda a gente apoia quando existem conquistas. Toda a gente apoia quando se trabalha bem, e foi isso que eu passei à equipa, nós temos que ganhar, se nós queremos ter gente aqui a apoiar-nos, nós temos que ganhar. Depois isso traz o acréscimo da pressão com os adeptos no Pavilhão, e nós só conseguimos viver isso realmente se os tivermos aqui. No último jogo frente à Académica de Espinho aqui, a bancada estava muito completa, eu fiquei muito contente, mas acho que ainda conseguimos fazer mais no próximo jogo aqui em casa. Senti que o grupo não estava habituado a esses momentos, de ter tanta gente a apoiar e é preciso mais desses momentos para crescerem, porque eu sei que, embora tenha sentido algum nervosismo da equipa, eles sentiram que queriam render também pela quantidade de pessoas que os estavam a ver, e a forma como estavam a dar o apoio, que é fantástica”.