De visita aos agrupamentos das escolas Martins Sarmento e Santos Simões, os treinadores Luís Freire (equipa A) e Gil Lameiras (equipa B) agradeceram o acompanhamento especial que têm merecido os jovens atletas do Vitória SC

O saber não ocupa lugar entre os jovens futebolistas do Vitória Sport Clube. Por aí, estão cada vez mais alinhados o clube e os agrupamentos das escolas Martins Sarmento, Santos Simões e João de Meira, todas situadas na cidade de Guimarães. As três instituições de ensino acolhem cerca de duas centenas de jovens atletas vitorianos e todos são contemplados por um plano pedagógico individual, que consiste na articulação de horários de treinos com aulas, na compensação de faltas devido a compromissos desportivos com aulas extra e no acompanhamento psicológico. As obrigações escolares são ainda reforçadas com acompanhamento na sala de estudo da Academia do Vitória SC, como testemunharam numa visita recente um grupo de docentes ligados às referidas escolas, existindo por isso uma louvável harmonia de interesses entre todos, nomeadamente jovens futebolistas, encarregados de educação, treinadores e professores.
Esta coordenação entre clube e escolas tem jogado a favor inclusivamente das equipas profissionais A e B de futebol, que, volta e meia, necessitam de recorrer a atletas da formação para compensar baixas inesperadas, tanto em treinos como em jogos oficiais. Nesse sentido, os treinadores Luís Freire e Gil Lameiras, acompanhados dos respetivos corpos técnicos, fizeram questão de visitar as escolas Martins Sarmento e Santos Simões para saudar e agradecer a colaboração dos professores responsáveis pelos percursos escolares dos jovens Conquistadores, tendo sido recebidos de braços abertos pelos diretores Ana Maria Silva (do agrupamento Martins Sarmento) e Benjamim Sampaio (do agrupamento Santos Simões). Luís Freire manifestou-se encantado com o contributo das escolas. “Não fazia ideia que existiam estes programas de apoio aos jovens atletas. Penso que eram inexistentes quando eu estudava, é espetacular que a escola seja sempre um plano B para os jovens atletas”, vincou.


O treinador da equipa principal do Vitória SC tem, de resto, a noção das angústias dos jovens atletas. “É um processo difícil sempre que são chamados à equipa B ou à A. É por isso muito bom que sejam acompanhados, até do ponto de vista psicológico. Tenho notado que o Vitória SC está cada vez mais interessado em fazer pontes com as escolas e eu tenho a clara noção do que é ser professor. É uma profissão admirável, os professores dão muito aos miúdos. Ajudam-nos muito. Com este apoio, podem perseguir os seus sonhos sem perderem de vista os estudos”, observou Luís Freire. Antigo treinador na formação do Vitória SC, Gil Lameiras lembrou que são muito poucos os jovens que conseguem “fazer carreira” no futebol, pelo que os estudos não devem ser descurados. “É fundamental que consigam conciliar a componente escolar com a desportiva. Depois, a escola passa sempre bons valores para os atletas e isso até acaba por refletir-se na competição. O rigor e a disciplina também são passados nas escolas, mas o desporto também passa bons valores. A junção dessas duas áreas é muito importante”, considerou o treinador dos bês.
Tiago Moura, o Diretor do Departamento de Formação do Vitória SC, explicou ainda que cada jovem atleta do clube é avaliado em três dimensões: no plano desportivo, em termos de cidadania e no aproveitamento escolar. “E para que isso tudo funcione tem de haver uma aproximação grande entre o clube e as escolas. Os horários, por exemplo, são muito importantes para que os atletas cheguem o mais cedo possível a casa, poupando assim os atletas de cansaço excessivo. Há uns anos os treinos eram só ao fim da tarde, com miúdos que vinham do Porto, Aveiro ou Santa Maria da Feira. Naturalmente, só chegavam a casa entre as 23h00 ou meia-noite. Agora já é possível que cheguem a casa a tempo de jantarem com a família”, exemplificou, garantindo que o clube tudo faz no sentido de estimular o bom aproveitamento escolar. “Devemos ter a noção de que 99,5% dos atletas federados em Portugal não são profissionais. Pensamos muito nos tais 0,5% e esquecemo-nos de preparar os outros para a vida. E o clube tem essa preocupação”, juntou.



Os desígnios do Vitória SC nesta matéria são, por isso, do inteiro agrado dos docentes das referidas escolas. Ana Maria Silva, a diretora do Agrupamento Martins Sarmento, deu conta de “um relacionamento de confiança entre os atletas, professores e o clube”. “Era isso que muitas vezes não existia e, naturalmente, as relações entre todos tornavam-se difíceis. Agora, de uma forma geral, os professores já acreditam nos atletas e têm a perfeita noção de que estes se esforçam para ter bons aproveitamentos escolar. E os resultados estão à vista: temos bons alunos. Acho até que sendo bons alunos serão cada vez melhores desportistas”, defendeu. Benjamim Sampaio, o diretor do Agrupamento Santos Simões, elogiou a nova organização do clube. “Na visita que fizemos à Academia do Vitória, verificámos que as coisas evoluíram muito. Antes só tínhamos atletas a estudar; agora temos alunos. Temos atletas que tiram vintes e aspiram a tirar cursos superiores. Juntamente com o Vitória SC, esta escola tem traçado um percurso educativo forte”, realçou.






